Rubens Paiva no Chat Uol - CTRL C + CTRL V melhores momentos
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Agora há pouco estive observando o bate-papo de Marcelo Rubens Paiva no UOL Chat. Cheguei no final, mas mesmo assim peguei umas coisas bem legais. Não sei se pode, mas estou descaradamente dando um CTRL C + CTRL V nas melhores respostas do Rubens Paiva pra colocar aqui. Se não puder, Uol, me avisa que eu tiro do ar. Minha intenção foi fazer as pessoas aproveitarem este ótimo papo aqui no meu blog também!
(07:11:20) Rubens Paiva: Sobre o personagem que vira cafetão, o livro começa com o personagem sendo demitido. Ele vai a um flat e a única coisa que lhe sobra do casamento é um carro. Ele acaba se envolvendo com garotas de programa e adquire esta nova profissão. Um jornalista convive muito com um ambiente em que vão também prostitutas devido aos horários, pois nos mesmos bares e boates vão garotas de programa. São pessoas que trabalham no centro da cidade e fazem plantão. Então sempre houve este "casamento" entre jornalistas e este submundo da cidade de São Paulo. São bares como o Sujinho, boates como a Love Story. Foi uma brincadeira entre os trabalho do jornalista que às vezes faz o trabalho por dinheiro e a prostituta que faz o sexo por dinheiro.
(07:13:11) Rubens Paiva: juliana, talvez por eu ser oriundo deste mundo, adoro o que faço, todos os meus amigos são do mundo da comunicação. É um mundo importante. E não é só eu que gosto, na USP por exemplo os vestibulares mais concorridos são desta área. As pessoas gostam, trocam informações, oportunidades de acesso, novidades. Um paulista como eu é um cara que gosta de mostra de cinema, de Bernal, de Feira do Livro, de Virada Cultural, então é fundamental para um paulista clássico gostar de cultura. Este universo eu acabo trabalhando em meus livros. Sempre fui um sujeito urbano, morei sempre em cidades grandes no Rio e SP.
(07:16:48) Rubens Paiva: O livro "Feliz Ano Velho" é de 1982. Tem muita gente que não leu este livro, mas outros livros meus. Nesta época não existia internet, fax ou vídeo. É um livro que fala de coisas que vão ser para sempre. Uma delas é a importância dos amigos, da família, o carinho que temos pela vida, o amor pela vida atravessando o processo de uma trajédia e uma reabilitação muito difícil. E ao mesmo tempo estamos ali quernedo superar, ter amigos e uma nova profissão. É um cara de 20 anos que sofre um acidente muito grave, que tinha uma vida bem legal e de repente quer ela de volta. Ele luta apesar de todas as dificuldades para manter o bom humor para sempre.
(07:21:52) Rubens Paiva: Malu de Bicicleta, lancei este livro há uns quatro anos e vai virar filme. Será filmado em meados do ano que vem. Está em fase de pré-produção e No Retrovisor já captou grande parte. Sabe que os melhores cafetões são mulheres porque quando um cara liga para agendar um programa se for mulher o cliente se sente mais a vontade. Existe cafetões homens, mas para uma mulher seria melhor esta profissão. Mas não teria a cara de pau para lidar com este meio, mesmo porque tem que ter um coração duro. Apesar de o livro ser divertido é uma coisa ruim a mulher se prositutuir. Então não é uma profissão fácil de se abraçar.
(07:27:00) Rubens Paiva: Henrique, tem o vício de construir frases difíceis, detesto este tipo de literatura. "Andou pelo meu pensamento", não, "pensei em coisas". Gosto daquele escritor jovem que fala uma linguagem mais moderna, precisa, econômica etc. Existe uma geração nova de escritores brasieliros maravilhosa. Se comparado de quando comecei que existia um marasmo, hoje está um borbulhar. Hoje em dia muitas editoras estão interessadas neste tipo de autor. Assim como a própria blogosfera acabou revelando nomes que sem a internet não seriam conhecidos.
(07:31:38) Rubens Paiva: Alan Bergamota, eu busco isso, nãobusco fama, sucesso, explosões de vendagem, apesar de o meu primeiro livro ter sido um mega sucesso. Não fui atrás disso, mas atrás de um estilo, uma narrativa que eu gostasse e tivesse prazer de escrever. Eu poderia escrever um best seller um livro facinho, um drama ofegão. Eu sempre uso os questionamentos filosóficos desde os pré socrasticos.
(07:36:51) Rubens Paiva: garota legal, este é um problema, já tenho dois livros meus pirateados na internet. São os dois primeiros livros. Nós vivemos disso, infelizmente agora os escritores estão enfrentando os mesmos problemas dos músicos. Fico chateado com isto, gostaria de colocar alguns livros meus para donwload, mas acredito em um sistema de indústria cultural. No caso dos artistas alguns se deram bem com os shows, inclusive alguns que estavam esquecidos. No caso do escritor, tenho um prazer em ir a livraria, gosto do cheiro do livro, o CD pode acabar, mas o livro não.
(07:43:30) Rubens Paiva: paula, pelo contrário, tenho crises de não ter tempo suficiente de fazer tudo o que tenho vontade de fazer. Tenho muitas idéias e sou muito convidado, às vezes tenho que sacrificar um projeto para fazer outro projeto. Então nunca apareceu esta crise de não ter o que fazer, pelo contrário, me falta tempo. Estou com umapeça que comecei há uma semana empolgadíssimo e na outra semana bloqueou. Se bloqueia é porque tem problemas, se flui está amarradinha em sua cabeça. Se bloqueia deixo a idéia amadurecer e busco razões para o bloqueio e às vezes abandono.
(07:45:43) Rubens Paiva: Henrique, de jeito nenhum. O personagem fala isto porque é uma criação minha, que gosta de prostitutas. Eu não pratico sexo pago, não gosto, acho deprimente, não vejo graça. Já pratiquei quando adolescente. Prefiro ficar sozinho em casa do que ir atrás de prostitutas. Mas sei de pessoas que gostam, até de boquetes de travestis, nunca fiz isso. Se um dia eu escrever um livro elogiando um boquete de travesti não quer dizer que eu pense assim.
(07:55:16) Rubens Paiva: Henrique, ótima pergunta, vamos chutar o pau da barraca. O amor de "pica fica" é para o homem, já a mulher parte para outra. O homem às vezes tem esta vontade de manter o seu pequeno harém, não é geral. Mas com a mulher não, ela vai embora. Também não há regra, tem homem que corta a relação total e não quer mais saber, alguns admiram a mulher, mas não tem mais tesão. Comigo se acabou é porque já tinha um problema grave, mas não acho que as pessoas devam ser assim. Cada um termina de um jeito, pode voltar, ter fantasias e tal.
(07:58:47) Rubens Paiva: Törless, sou totalmente contra a meia entrada, apoio os artistas que apoiam isto. Fiz uma peça em salvador em que 90% era de meia entrada, foi uma grande falsificação de carteirinhas, não faço mais peças lá. Este problema está chegando ao Brasil inteiro. Com a falsificação não deu certo este lance da meia entrada. Tem que pensar em uma possibilidade de fazer os ingressos serem mais baratos. Se acabar com a meia entrada vai haver uma queda nos preços. O Radiohead está a R$ 100 ou R$ 200, se não tivesse a meia entrada estaria a R$ 150 para todo mundo. No Brasil todo mundo quer ter um privilégio. Se conseguirmos terminar com estas torneirinhas talvez consigamos fazer um ingresso barato para todos. Sou contra a meia entrada.

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